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Auxiliadora idônea

As Escrituras Sagradas reservam às mulheres um valor e um papel que vão muito além do que propaga o moderno feminismo

20 DE maio DE 2017

André Coelho

“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher (macho e fêmea) os criou” (Gn 1.27)

Segundo o relato bíblico, quando Deus formou o ser humano à sua imagem, homem e mulher os criou. Este texto é muito significativo, pois revela que a imagem de Deus só poderia ser completamente expressa com as características de ambos os sexos: masculino e feminino. Portanto, não só o homem, mas tão somente o conjunto homem-mulher tem o poder de expressar a verdadeira imagem da divindade. Vemos aqui, na primeira referência bíblica sobre a mulher, que o projeto de Deus, desde o início, sempre foi a parceria entre os gêneros, pois ambos foram criados e possuem a mesma dignidade e valor intrínseco perante o Criador.

Apesar de, no relato bíblico, a queda ter vindo por meio da mulher, pela misericórdia de Deus, a redenção também viria por meio dela: seria a semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3.15). É por esse motivo que sempre houve uma profunda inimizade entre a mulher e o inimigo de Deus, pois, por toda a história da humanidade, a mulher tem sido rebaixada, depreciada e oprimida na maioria das culturas. Tal postura é sempre baseada no falso pressuposto de que os homens são superiores. E, historicamente, esse tem sido um dos problemas mais recorrentes, tanto em nível familiar, quanto social e cultural.

A solução errônea que tem sido proposta para resolver tal questão é que as mulheres se tornem como os homens: ocupando as mesmas posições, funções e responsabilidades – o chamado “feminismo radical” de nossos dias. No século passado, vimos exatamente esse movimento: a revolução sexual, a defesa do aborto, a necessidade de afirmação profissional feminina (em detrimento dos filhos). Finalmente, verificou-se a inversão de papéis dentro do lar. Porém, esse não é o caminho de Deus. Não que as mulheres não sejam capazes de realizar as mesmas tarefas que os homens, mas apenas que elas foram criadas com papéis distintos e complementares em relação ao sexo masculino.

INFLUÊNCIA VITAL

Qual é, então, biblicamente falando, o papel e a posição da mulher dentro da família, na igreja e na sociedade segundo o plano de Deus? Há um trecho das Escrituras que responde perfeitamente esta pergunta: o de Provérbios 31. Esse maravilhoso capítulo da Bíblia, escrito pelo rei Lemuel, teve como inspiração os ensinamentos de uma mulher, a saber, sua mãe, conforme está registrado: “Palavras do rei Lemuel, de Massá, as quais lhe ensinou sua mãe” (Pv 31.1). O extraordinário livro de Provérbios, cujo tema é a verdadeira sabedoria para se viver bem, termina com chave de ouro, descrevendo as qualidades e o tremendo potencial das mulheres.

Em sua parte inicial (versos de 1 a 9), esse capítulo nos revela a vital influência de uma mulher na formação do caráter de seus filhos – nesse caso, de um rei. Ela o ensina a se desviar do mal, a se comportar sobriamente, a julgar com justiça e a defender o direito dos necessitados. Esses poucos conselhos, se seguidos, trariam bênção, paz e prosperidade para todo o reino.

Já a partir do versículo 10, vemos sua mãe o instruindo a como escolher uma esposa que, como rainha, seria sua contraparte, reinando juntamente com ele. Este admirável trecho das Escrituras nos fala da “mulher virtuosa”, ou seja, daquele padrão ideal que o Criador planejou para toda mulher, de forma a refletir o caráter de Cristo e o amor de Deus. Esta parte final do livro de Provérbios é escrita na forma de poema acróstico alfabético, em que se usa cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico sequencialmente no início de cada verso. Em outras palavras, aqui o autor está narrando as qualidades da mulher virtuosa de “A” a “Z”.

Nessa descrição, vemos tanto misericórdia quanto diligência; tanto fidelidade quanto sabedoria; tanto cuidado com os de sua casa quanto para os de fora. Além disso, o texto fala de capacidade de gerência interna e de empreendimento externo;
discernimento e confiança; capacidade de ganho e generosidade; força e dignidade; e, finalmente, beleza – tanto interna quanto externa.

Esse texto descreve o valor e o papel da mulher, segundo planejado por Deus, que deve ser a referência de comportamento e caráter para todas as mulheres de todas as épocas e culturas. E quem diz isso não é nenhum estudioso de sociologia, intelectual ou antropólogo, mas as eternas Escrituras Sagradas.

Na estrutura literária do hebraico, o primeiro verso se inicia com a primeira letra daquele alfabeto (álefe); o segundo verso, com a segunda letra – bete –, e assim por diante, até o vigésimo segundo e último verso com a vigésima segunda e última letra do alfabeto hebraico (tau). O objetivo é mostrar que a linguagem humana foi usada em sua plenitude para expressar todas as qualidades dessa mulher virtuosa:

ÁLEFE – “Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas joias”.
BETE – “O coração do seu marido confia nela e não haverá falta de ganho”.
GUÍMEL – “Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida”.
DÁLETE – “Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos”.
 – “É como o navio mercante: de longe traz o seu pão”.
VAVE – “É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento a sua casa e a tarefa às suas servas”.
ZAINE – “Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho”.
HETE – “Cinge os lombos de força e fortalece os braços”.
TETE – “Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite”.
IODE – “Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca”.
CAFE – “Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado”.
LÂMEDE– “No tocante à sua casa, não teme a neve, pois todos andam vestidos de lã escarlate”.
MEME – “Faz para si cobertas, veste-se de linho e de púrpura”.
NUNE – “Seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra”.
SÂMERUE – “Ela faz roupas de linho fino, e vende-as, e dá cintas aos mercadores”.
AINE – “A força e a dignidade são os seus vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações”.
 – “Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua”.
TSADÊ – “Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça”.
CÔFE – “Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo:”
RECHE – “Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas”.
CHINE – “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”.
TAU – “Dai-lhe do fruto das suas mãos, e de público a louvarão as suas obras” (Pv 31.10-31)

Quão importante é a mulher no plano de Deus! Que o Senhor dispense sua graça para que as mulheres alcancem todo o seu potencial. E que os homens possam valorizar e honrar estas que foram colocadas como “auxiliadoras idôneas”.

ANDRÉ COELHO DE OLIVEIRA é engenheiro com pós-graduação em Teologia e pastor na Comunidade Cristã da Zona Sul, em Belo Horizonte/MG. É autor do livro Redescobrindo sua Bíblia.

 

 

 

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