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Ensina a criança

Família e igreja têm a responsabilidade de conduzir os pequenos ao conhecimento dos valores do Reino de Deus

10 DE junho DE 2017

Por Dilma D’Ávila Ribeiro

Não é novidade para ninguém que o mundo vem se desenvolvendo de maneira rápida e diversificada. São mudanças profundas, capazes de influenciar o comportamento humano, trazendo ideias e costumes que nos afetam – e, sobretudo, os nossos filhos. Como educadora, tenho percebido a dificuldade das famílias em orientar seus filhos em busca de uma aprendizagem que passe pelo falar, pelo agir e, principalmente, pelo exemplo a ser seguido. Na verdade, é uma aprendizagem significativa que continuará por toda a vida, fazendo a diferença, embora as mudanças ocorram. No caso dos cristãos, o parâmetro será sempre a Palavra de Deus, para a qual devemos retornar, em qualquer situação, como regra de fé e conduta.

Um dos pilares dessa construção, sem dúvida, é a leitura. Hoje, ao contrário do que acontecia no passado recente, há uma enorme diversidade de produtos editoriais voltados ao público infanto-juvenil, apresentando a Palavra de Deus de diversas formas. Por outro lado, a escola, a família e a igreja estão presentes na vida dessas crianças e jovens, influenciando atitudes e pensamentos. A dúvida, que preocupa pais e educadores cristãos, é: como escolher o material mais adequado? E como utilizar esses recursos na educação desse imenso público? Estimular o hábito da leitura desde cedo é essencial para a boa formação do ser humano.

Do ponto de vista pedagógico, ensinar a ler e escrever é fundamental para que o indivíduo seja capaz de obter informações para sua vida, de maneira independente. No âmbito cristão, a situação não é diferente. Pelo contrário – a responsabilidade dos adultos aumenta quando pensamos na formação que advém do aprendizado do Evangelho integral, que transforma e modifica a realidade de dentro para fora, apresentado pela Palavra de Deus de diversas maneiras. A escolha de materiais adequados fica mais simples a partir do conhecimento das características inerentes a cada faixa etária dos primeiros anos de vida. Até os dois anos de idade, a criança necessita de uma comunicação básica.

Um bebê pode criar vínculos com os livros antes mesmo de compreender a linguagem verbal. Para isso, são ótimos os livros em forma de brinquedo, que podem ser levados pela criança a qualquer lugar, inclusive para o banho. Recomenda-se, nesta fase, que a leitura seja feita em voz alta, mostrando aos pequenos as figuras e repetindo bem os nomes.
Na fase seguinte, que vai dos dois aos cinco anos – a chamada etapa da pré-leitura –, acontece o desenvolvimento da linguagem oral, da percepção e relacionamento entre imagens e palavras, do som e do ritmo. Essa leitura é pela audição; a criança escuta textos, olha as figuras e memoriza conteúdos. A recomendação para essa fase são livros e Bíblias com grandes gravuras, cenas individualizadas, cantigas,poesias e jogos sonoros. O ideal são as histórias curtas, com estruturas simples, que a própria criança pode fazer tão logo aprenda o “som” das letras.

Já entre os seis e os oito anos, a criança já consegue ler textos curtos e é capaz de fazer a leitura silábica e de palavras. O apoio das ilustrações continua necessário, uma vez que facilita a associação entre o que ela lê e o que o texto apresenta. Recomenda-se as leituras de aventuras no ambiente próximo, familiar e escolar, bem como histórias de animais e fantasias – além, é claro, da Bíblia Sagrada. Nesta idade, a criança já pode ser presenteada com sua primeira Bíblia ilustrada.

A fase seguinte, que vai até os 11 anos, é a da leitura interpretativa. Aqui, pode-se dizer que ocorre o desenvolvimento propriamente dito da leitura, uma vez que o leitor já compreende o que lê e é capaz de utilizar conceitos mais abstratos, além da lógica e do raciocínio. A esta altura da vida, conceitos essenciais, como respeito pelos outros, companheirismo, honestidade e justiça, podem e devem ser transmitidos. O gosto pela leitura passa pelo estímulo e essa faixa etária aprecia contos fantasiosos, histórias de humor, folclore, poesias, mistério e fantasia.

INFLUÊNCIA

A partir da entrada na adolescência, já existe a capacidade de ler textos mais extensos e complexos quanto a ideias, estruturas e linguagem. Já começa uma pequena introdução à leitura crítica e há menor dependência das ilustrações. A recomendação é para uma leitura de aventuras, suspense, ficção científica e temas da atualidade, além de, no caso das mocinhas, histórias de amor. A literatura cristã está incluída, sem dúvida, nesse processo – além, é claro, da família, da escola, da igreja e das editoras. E é na família que o principal papel é desempenhado. É ela que provê condições para que a criança leia. Convém lembrar que a família cristã tem desafios a serem vencidos no mundo atual, principalmente com a ajuda de Deus, por meio de sua Palavra.

Há ações que dependem da ajuda dela a seus filhos, como incentivar o hábito da leitura cristã de diferentes maneiras – não apenas lendo junto com as crianças, como selecionando e oferecendo a melhor leitura. Cabe aos pais ou responsáveis observar e comentar a leitura, ressaltando os valores nas narrativas e destacando modelos de comportamento e ideias, ajudando os pequenos na correta compreensão de si mesmos, do mundo que as rodeia e de Deus.

A igreja também exerce muita influência na formação das crianças, sobretudo por meio da escola bíblica infantil. Infelizmente, em muitos contextos eclesiásticos, a educação cristã ainda não possui a importância que merece. Via de regra, as igrejas não contam com pessoal especializado, estrutura física adequada e recursos apropriados, como uma pequena biblioteca, onde os livros selecionados sejam colocados à disposição das crianças e adolescentes, considerando-se a Bíblia como o livro maior. Mesmo assim, toda igreja pode – e deve – exercer um papel influenciador, observando questões relevantes para a educação infantil.

Hoje, em nosso país, dezenas de editoras e casas publicadoras de orientação cristã trazem ao público infanto-juvenil muito material educativo, Bíblias com lindos desenhos e linguagem apropriada e bons livros. Investir em material e recursos didáticos para a educação cristã tem sido um desafio em nossos dias. Ao mesmo tempo, a procura por literatura cristã tem avançado. Nunca é demais reforçar a necessidade de material pedagogicamente organizado de modo a atender às exigências de cada faixa etária e etapa de desenvolvimento dos leitores.

Mas ainda é necessário que ações da família, da escola, da igreja e do mercado caminhem juntas no sentido de fornecer ao público infanto-juvenil brasileiro um mix de produtos editoriais variado, atraente, acessível e, sobretudo, que atenda a uma das recomendações mais importantes da Palavra de Deus:

“Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles.” Provérbios 22:6 (NVI)

DILMA D’ÁVILA RIBEIRO é pedagoga com especialização em Educação Especial e Educação Infantil, escritora, diretora da escola Castelo da Turma Miúda e membro da Igreja Evangélica Congregacional de Icaraí, em Niterói (RJ).

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