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Pedras que clamam

Desenvolvimento da arqueologia bíblica reforça tese da exatidão histórica do texto sagrado

27 DE junho DE 2017

A já centenária ciência da arqueologia bíblica tem revolucionado o estudo e o ensino das Escritura s Sagradas. Por toda a região do Oriente Médio, centenas de achados trazem à luz conhecimentos inéditos sobre os tempos bíblicos e ainda reforçam a ideia da fidedignidade da Palavra de Deus. São descobertas que vão desde pequenos fragmentos de cerâmica ou moedas calcinadas pelas chamas até cidades inteiras cuja localização se perderam na bruma dos tempos. E o resultado de tais achados vai além da importância meramente científica: com o incremento das pesquisas de campo e a publicação, em revistas especializadas, de reportagens e artigos sobre o tema, até mesmo o ceticismo de setores da comunidade acadêmica sobre a validade histórica da Bíblia Sagrada tem sido afetado.

Depois do grande impulso ao estudo histórico e arqueológico na região da Palestina, estimulada pelos britânicos que controlaram o território entre os séculos 19 e 20, vários pesquisadores europeus fizeram descobertas importantes. Paralelamente, diversas ordens religiosas, como a dos jesuítas e dos dominicanos, também se interessaram pelo tema, promovendo uma verdadeira onda de descobertas.

Arqueólogos de renome, como William Albright e George Wright, de nacionalidade britânica, marcaram época entre os anos de 1920 e 1947. A partir de 1948, com a  fundação do Estado de Israel, instituições e especialistas israelenses têm se destacado na pesquisa de resquícios dos tempos bíblicos.

Conheça as maiores descobertas da arqueologia bíblica dos últimos 200 anos:

FORTALEZA DE MASSADA – Este espetacular sítio arqueológico foi identificado pela primeira vez em 1838 no topo de uma elevação, próxima ao Mar Morto. Região inóspita pelo isolamento e a escassez de água, ali existia o palácio de verão do rei Herodes e vários prédios públicos, além de residências. Tudo era cercado por um muro de quase um quilômetro de extensão e 27 torres de vigilância. Massada foi o derradeiro baluarte da resistência judaica à destruição de Jerusalém, tendo suportado quase três anos de assédio das tropas romanas. Os invasores só subjugaram a resistência depois que construíram uma passarela de terra ao lado da fortificação, ao custo de pesadas baixas. A resistência judaica à enorme disparidade de forças – quase 10 mil romanos contra cerca de 960 defensores – constitui uma página épica da história da Israel. Uma equipe liderada pelo arqueólogo Ygael Yadin realizou escavações intensas no local, na década de 1960, revelando que os ocupantes da cidadela, diante da inevitável derrota, preferiram matar-se uns aos outros do que cair nas mãos dos gentios.

MAPA DE MADABA – Descoberto numa igreja em Madaba, na Jordânia, em 1884, o mapa é a mais antiga representação carto-gráfica da Terra Santa. Criado na forma de um magnífico mosaico, que data entre 560-565 a.C., originalmente mostrava uma área que se estendia do sul da Síria até ao Egito central. No momento em que foi descoberto, a maior parte do mapa já tinha sido destruída, mas o que restou inclui uma descrição detalhada de Jerusalém conforme é contada nos livros do Antigo Testamento.

MANUSCRITOS DO MAR MORTO – Considerados um dos maiores achados da arqueologia bíblica, o conjunto de pergaminhos, com boa parte do Antigo Testamento, textos rituais, poemas e muita informação histórica, foi encontrado por um jovem beduíno em 1947, dentro de vasos de barro, no interior de pequenas cavernas na região de Qumran, às margens do Mar Morto – daí o seu nome. Extremamente bem preservados pelo ar seco e pela salinidade do mar,o seu nome. Extremamente bem preservados pelo ar seco e pela salinidade do mar, o material logo virou sensação mundial. Nos dez anos seguintes, mais de 900 manuscritos – de rolos inteiros a pequenos fragmentos – foram encontrados em onze cavernas. Os textos foram elabora-dos e escondidos, provavelmente, pelos essênios, grupo sectário judeu que não aceitava a influência helenística e preferiu manter seu modo de vida e de fé na clausura monástica. O material cobre um amplo período, que vai de 200 a.C. até o ano 70 da Era Cristã, quando o general romano Tito destruiu Jerusalém. Até hoje, vários trechos dos Manuscritos são os mais antigos textos bíblicos disponíveis. O material encontra-se cuidadosamente guar-dado no Museu do Livro, em Jerusalém.

SELO DE EZEQUIAS – Escavações feitas em Ofel, área adjacente ao antigo Templo de Jerusalém, revelaram um antigo selo do rei Ezequias, que governou Judá entre 726 e 697 a.C. O texto, impresso em relevo, diz: “Pertencente a Ezequias, [filho de] Acaz, rei de Judá”. A Universidade Hebraica de Jeru-salém saudou o selo como a primeira peça autêntica de um rei do antigo Israel.

BARCO DA GALILEIA – Em 1986, dois arqueólogos amadores, explorando a costa do Lago da Galileia, encontraram os restos de um pequeno barco de madeira enterrado em sedimentos. As escavações revelaram um barco cuja datação apontava a idade de 2.000 anos – contemporâneo, portanto, da época de Cristo. Por isso, a embarcação ficou conhecida como o “barco de Jesus”, em-bora não haja, evidentemente, quaisquer indícios de que tenha sido usado pelo Mestre. Mais tarde, as escavações revelaram vestígios de um povoado no mesmo local – localidade esta que, provavelmente, tenha sido um dia visitada por Jesus e seus seguidores em suas andanças pela região da Galileia.

ESTELA DE TEL DÃ – Placa de rocha encontrada em 1993 que faz clara referência bíblica ao rei Davi (1015 a.C. – 975 a.C.). Suas inscrições louvam as conquistas de Hazael, rei da Arã: “(…) e eu matei Acazias, filho de Jeorão, da Casa de Davi”, diz um trecho. Trata-se da mais remota menção extrabíblica à dinastia de Davi, o segundo rei de Israel.

PALÁCIO DE HERODES – No subsolo de uma antiga prisão turca, nas imediações da Porta de Jaffa, uma das entradas da Cidade Velha de Jerusalém, arqueólogos encontraram o que se acredita serem ruínas do palácio de Herodes. Ali, em alguma câmara ou sala ainda não encontrada, Jesus teria sido julgado por Pilatos, em um dos episódios mais dramáticos relatados nas Escrituras.

CACO DE LAQUIS – Laquis, citada várias vezes na Bíblia, era uma antiga localidade numa planície marítima do sul do atual Estado de Israel. Segundo o Antigo Testa-mento, a região foi conquistada por Josué e dada à tribo de Judá, na partilha de Canaã. Mais tarde, virou fortaleza militar do rei Roboão, por volta de 900 a.C. Um caco de barro achado ali em 2014 tem nove letras em escrita cananeia e, segundo os estudos preliminares, fornece informações importantes sobre o desenvolvimento do alfabeto cananeu e, por conseguinte, do hebraico antigo.

CASA DE JESUS – Pesquisadores da Universidade de Reading, no Reino Unido, liderados pelo arqueólogo Ken Dark, descobriram em Nazaré uma casa que poderia ter sido aquela onde Jesus viveu com Maria e José. A estrutura, do primeiro século, foi construída com argamassa e pedra, apoiada numa encosta. O que reforça a tese é que as ruínas ficam no mesmo local onde os cristãos da época bizantina (século 4) acreditavam ter vivido Jesus.

ROLO DE EN-GEDI – Restos carboniza-dos de um antigo pergaminho foram encontrados nas ruínas de uma sinagoga em En-Gedi, às margens do Mar Morto, em 1970. Porém, só ano passado sua enorme importância foi revelada por um software, por meio de técnicas de tomografia computadorizada. O fragmento, datado do século 3 a.C., contém os oito primeiros versículos do livro bíblico de Levítico. Trata-se, por-tanto, do mais antigo texto atualmente conhecido da Bíblia, anterior até mesmo aos Manuscritos do Mar Morto.

CILINDRO DE CIRO – Peça de argila do rei Ciro, o Grande, conquistador de Babilônia. Encontrado em um templo próximo a Bagdá, é coberto por escrita cuneiforme, narrando a conquista do rei medo-persa. O texto menciona, ainda, o rei Belsazar, último monarca babilônico, que é citado, também, no livro bíblico do profeta Daniel. O Cilindro de Ciro encontra-se no Museu Britânico.

SELO DE JERUSALÉM – Escavações ilegais realizadas por pesquisadores e curiosos na região do Monte do Templo (ou Esplanada das Mesquitas, como preferem os árabes que controlam a área) revelaram um antigo selo de terracota. Os estudos de datação o situam por volta de 1000 a.C., época em que Davi conquistou a cidade dos jebuseus.

TÚNEL DE EZEQUIAS – A descoberta do antigo túnel, pelos arqueólogos Amos Frumkin, Aryeh Shimron e Jeff Rosembaum, da Universidade Hebraica de Jerusalém, em 2003, causou comoção. De acordo com o Antigo Testamento, o rei Ezequias, de Judá, prevendo a invasão iminente das forças assírias, mandou construir um túnel subterrâneo para abastecer a cidade com as águas da fonte de Gion. Assim, Jerusalém foi capaz de resistir por mais tempo ao cerco. O túnel, de mais de 500 metros de comprimento, foi construído entre 701 e 700 a.C. e ainda pode ser visitado em Jerusalém.

TUMBA DE HERODES – Achado em 2007 por arqueólogos da Universidade Hebraica de Jerusalém, a tumba, nas redondezas da cidade, é um mausoléu de cerca de 2,5 metros de comprimento. Suas inscrições ainda não foram totalmente de-cifradas, mas fazem menção a Herodes I, o Grande, monarca que governou Israel na época do nascimento de Jesus.

PEDRA MOABITA – Peça de basal-to com referência a Mesa, rei de Moabe, encontrada na Jordânia em 1868. O texto menciona o rei israelita Omri, citado em II Reis 3. Feito por volta de 830 a.C., o documento também tem inscrições em honra ao Deus hebreu (representado por caracteres relativos às consoantes YHWH).

TABLETES DE EBLA – Coleção de cerca de 14 mil tábuas de argila encontradas no norte da Síria, em 1974. Datadas entre 2300 a 2000 a.C., elas remontam à época dos patriarcas. As peças constituem um verdadeiro quebra-cabeças ainda não decifrado em sua totalidade, mas sabe-se contêm nomes de cidades e pessoas, como Adão, Eva, Miguel, Israel e Noé. As peças trazem ainda relatos do modo de vida na época, com várias similaridades ao cotidiano dos patriarcas narrado entre os capítulos 12 e 50 do livro de Gênesis.

TIJOLO DE NABUCODONOSOR – A descoberta da peça desconstruiu a ideia de que a cidade de Babilônia nada mais era do que um mito bíblico, assim como a fi-gura de seu monarca mais famoso, Nabucodonosor. O achado arqueológico traz a seguinte inscrição, em escrita cuneiforme: “[Eu sou] Nabucodonosor, rei de Babilônia, provedor [do templo] de Ezagil e Ezida; filho primogênito de Nabopolassar.

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